COMO AS UNIDADES BÁSICAS DO CORPO DE CRISTO SÃO CONSTITUÍDAS?
Nesse inspirador capítulo, Ralph Neighbour ressalta alguns elementos das unidades básicas do corpo de Cristo, desde a sua formação, centralidade em Cristo, papel dos capacitadores e sacralidade.
A formação das unidades básicas começa com a “escolha individual pelo Espírito Santo”. Aqui, pessoas longe de Deus são chamadas, introduzidas, seladas com o Espírito e batizadas no Corpo para formar as unidades básicas ou ekklesia. Afirma, então, o autor:
“O propósito da redenção é produzir membros do corpo. Essa escolha sempre inclui ser batizado nas unidades básicas do corpo de Cristo” (1Co 12.12,13).
A centralidade de Cristo é fundamental em todos os aspectos. Quando uma “igreja organizada” não compreende esse princípio, torna-se uma organização de homens, e não a ekkesia de Cristo. Aí está o que ele chama de “diferença abissal” entre ser “unidades básicas do corpo de Cristo” e “estruturas de igreja produzidas pelo homem”.
Essas unidades básicas formam a comunidade de base que juntas tornam-se o Corpo maior de Cristo. Não é o “corpo maior” que vem primeiro, mas cada pessoa “chamada para fora”. A falta de compreensão dessa ordem acaba gerando uma confusão e erro na forma como fazemos igreja.
Cada pessoa chamada para fora, é batizada e introduzida pelo Espírito Santo e torna-se parte das unidades básicas que, por sua vez, formam o corpo maior. Falando acerca da importância de cada membro do corpo está conectado entre si, Neighbour não perde a oportunidade para reprovar o atual sistema de igreja:
“Temos oferecido uma mensagem de evangelho sem conexões e temos gerado milhões de cristãos não conectados. Eles conseguem existir com nada mais do que um livro ou programa de rádio ou de televisão. Eles não têm compreensão alguma de vida em corpo, e os seus distantes ‘mestres’ da mídia sabem disso; se alguma vez eles entenderem o que é verdadeiramente uma vida em corpo, a base de apoio financeira desses ‘mestres’ estará em colapso”.
Após sermos escolhidos pelo Espírito para formar a ekklesia, formamos o corpo de Cristo. Portanto, a “formação”, “atividade” e o “testemunho” são influenciados por meio do batismo no corpo de Cristo. Neighbour adverte que ao implantarmos igrejas, tenhamos o cuidado de não deixar a nossa impressão digital, pois muitos acabam querendo suprir sua realização pessoal. Forte, não é? Na “atividade”, as unidades básicas devem ser dirigidas por Cristo, que é o único que sabe como alocar cada membro do corpo num lugar de necessidade. No “testemunho”, as unidades básicas devem revelar a presença interior de Cristo.
Como terceiro passo, o autor demonstra por meio de uma bem elaborada ilustração, num gráfico, como ocorre o movimento nas unidades básicas do corpo de Cristo. Dentro de cada esfera do gráfico, estão aspectos que dão sentido à formação de Cristo no interior dos crentes; comunidade; celebração; revelação; edificação e multiplicação. Muito interessante! Nesse ponto afirma Ralph:
“Tudo se resume a Cristo dirigir a vida do seu corpo”
No ponto onde Ralph Neighbour menciona o papel dos capacitadores do corpo de Cristo (Ef 4.11-13), ele já provoca: “Essas são posições de base e não de elite”! Os cinco ministérios tem a função de expandir a vida dos membros do corpo sem, contudo, interferir no seu vínculo direto com o Cabeça. Após descrever como Cristo dirigia a igreja em Atos e em vários movimentos no mundo, ele diz:
“Os apóstolos não ficavam muito tempo num lugar porque sabiam que Cristo conduziria as suas novas unidades do corpo. Quando voltavam alguns anos depois, observavam apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres formados por Cristo na sua ausência (…). Como a nata que sobe à superfície, os servos que serão modelos para ministérios maduros se desenvolverão espontaneamente se o homem não tentar improvisar com estruturas controladoras”.
Neighbour desmonta a atual estrutura de títulos e cargos ministeriais como a conhecemos hoje e dá um sentido “trinitário” ao desenvolvimento dos ministérios em que vemos na obra de Cristo e do Espírito uma revelação de Deus e onde não há uma elite especial, mas uma plenitude distribuída a todos.
No aspecto da sacralidade das unidades básicas, o autor as compara com a arca da aliança e diz: “tanto a arca quanto a ekklesia são receptáculos do Senhor. A arca não precisava da ajuda dos homens. Quando Uzá estendeu a mão para lhe dar apoio, a ira do Senhor se acendeu contra ele por causa do seu ato irreverente, e ele morreu” (2Sm 6.7).
É isso aí!

janeiro 4th, 2010 at 15:38
Querido Reverendo tenho acompanhado a resenha do livro Unidades Básicas do Corpo de Cristo. Espero com ansiedade o próximo. Uma grande contribuição para os nascidos em grupos celulares. Não conheci outro modelo de igreja, louvo a Deus por sua vida. Maravilhoso material. Caia por terra todo paradigma de uma igreja cheia de ritual babilônico!
Um abraço,
Isaura