HÁ MAIS, MUITO MAIS!
Neste penúltimo capítulo, Ralph Neighbour Jr. mais uma vez confronta a estrutura de liderança como a conhecemos hoje. Na verdade, a abordagem do tema trás uma mescla de sentimentos. Por um lado uma visão desanimadora do atual sistema “igrejista”, por outro, um desafio à mudanças. Prefiro ficar com o último!
Citando a obra de Martinho Lutero e seu sucessor Melanchton, o autor afirma que em três gerações o fogo e o ensino de fundadores acabam sendo postos em cubos de gelos pelas gerações seguintes. A título de exemplo, menciona a igreja na comunidade dos Hebreus que por volta de 65 d.c já experimentava uma degeneração em princípios fundamentais (Hebreus 12.12,13).
Mais uma vez Neighbour aborda a função do ministério quíntuplo como capacitador do corpo de Cristo e não como controlador. Aqui ele desfere golpes violentos contra a figura tradicional do “pastor titular” em contraste com o tipo de líder ideal que ele denomina de “pastor líder”. Acusa o autor que o “pastor titular” tornou-se uma “vaca sagrada para a religião organizada” por ser vista como o ápice do ministério, transformando-se numa figura centralizadora, limitadora e controladora. Diz: “Nada é mais mutilador ao corpo de Cristo hoje do que a substituição do ministério quíntuplo pela festejada posição do pastor titular”. Além de ser um mal para o Corpo que acaba olhando para essas pessoas como detentoras da unção, essa posição prejudica os próprios pastores, pois os sobrecarregam violentamente. Aqui cita o relatório de Geoge Barna segundo o qual 1.600 ministros pedem demissão ou são forçados a se demitir todos os meses nos EUA, totalizando 19.200 por ano!
Neighbour tranquiliza seus leitores de que não se refere a uma liderança descentralizada, onde todos tem igual voto na tomada de decisão e diz que tal tipo de liderança é impraticável. Mas defende com veemência a função do “pastor líder” cuja autoridade foi dada por Cristo e é reconhecida por todos. Esse tipo de liderança não pode ser vista como um CEO, o “homem-chave”, mas como um desenvolvedor dos outros e encorajador dos dons e talentos.
“Um pastor líder é um visionário que lidera por meio de uma equipe unida de cooperadores, sempre discernindo como o ministério de cada pessoa pode contribuir para a visão. Ele participa pessoalmente de uma unidade básica do corpo de Cristo. Ele não é ameaçado pelos pontos fortes e dons dos que servem com ele para equipar e capacitar os crentes das unidades básicas do corpo de Cristo. Ele se sente privilegiado por conduzi-los e presta contas da sua própria vida a eles.”
Ralph propõe para o futuro da igreja de Cristo ser necessário substituir a “oligarquia do pastor titular” pelo ministério do servo líder. Faz, também, uma brilhante observação acerca do método de Jesus ao discipular seus doze, dizendo que se lermos em voz alta todas as palavras de Cristo, sem repeti-las e usando a harmonia dos quatro evangelhos, faremos em menos de 95 minutos! Mas, em compensação, Jesus liderava por meio do exemplo e é disso que todo o resto dos evangelhos trata.
De fato esse capítulo é um estímulo a repensarmos o paradigma de liderança que temos adotado e é um desafio a buscarmos um estilo de ministério mais participativo e funcional. Encerro aqui citando o que Neighbour observa acerca de como Jesus liderava e enviava, que resume o estilo de liderança do ministério quíntuplo:
“Observe o que eu faço e como faço”. “Agora você tenta enquanto eu observo”. “Agora vou enviar você sozinho, e depois você me conta como foi”. “Agora eu envio você como o Pai me enviou”.
É isso aí!
